Hoje

Não sou lá muito chegado a mudanças, o que não quer dizer que eu goste de rotina. Já passei por cidades, segui a contracultura e odiei a forma. Nunca me ajustei, mas também não fugi dos padrões.

Tenho regras e métodos próprios e preciso segui-los - não é fácil viver dentro de um sistema - e quase não me permito alterações. Trafego pelo mesmo caminho, ouvindo as mesmas músicas e brigando pelas mesmas causas. Não sei se tenho uma vida chata, mas acho que tenho uma vida boa.

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E eu gosto da vida que eu tenho. Eu moro sozinho e tenho liberdade financeira. Gosto de chegar em casa e não ter que dividir nenhum espaço. Gosto do silêncio e da minha reclusão. Gosto da solidão, do excesso de privacidade e liberdade que tenho.

Mas eu gosto muito mais de você. E por você eu mudo minhas regras e métodos. Porque eu gosto de estar contigo. E quero contigo dividir minha vida, meus espaços. E quero quebrar o silêncio e deixar de ser só.

Com você tudo é mais simples e completo. E que bom que hoje tem amanhã todo dia.

Amanhã

O eco de suas palavras ainda reverbera em meu coração. Ouço o estalo do último beijo sobre aquela lágrima que rolou em meu rosto e custo a crer que não haverá amanhã. E eu preciso me acostumar com as noites vazias, um espaço na cama e um banco vago em meu carro.

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Tem um monte de coisas que eu não aprendi, mas sei que as palavras ditas é o que mais te faz falta. Eu não consigo dizer como me sinto ou o que penso, não quando são sentimentos. Porque sentimento a gente escreve que é para que o vento não leve. Mas as vezes as palavras saem ao contrário e o que eu escrevo não presta. Ou não me reflete.

Ficou um monte de coisas não ditas. Talvez não estejam mal resolvidas, mas eu não tenho como saber. Sinto apenas que sentir muito é pouco diante do que eu não disse de verdade. Não falo só de sentimentos, mas de tudo o que era minha vida nesse hiato de felicidade.

Eu não tenho os muros que asseguram e tranqüilizam. Não tenho armas contra a incerteza ou um porto para atracar seu peito. Sou como um tiro de meta: cinqüenta por cento de chance de dar certo. Ou um copo vazio pela metade.

Agora eu não sou nada. Porque não tem amanhã desde ontem.

Something to remember

Passamos tanto tempo acreditando na eternidade que nos esquecemos que parte das estrelas que no firmamento brilham todas as noites já deixaram de existir há milênios. Perdemos tanto tempo de nossas vidas complicando as coisas que só depois que elas passam é que percebemos como elas eram boas. Mas aí o trem já partiu e levou consigo tudo o que nós tínhamos.

Talvez porque todo sofrimento seja construído a partir de tijolos que nós mesmos assentamos. Seja numa tentativa de edificar o abstrato ou por razão qualquer que seja, estamos todos os dias em busca de uma explicação para todas as coisas.

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Se a vida fosse um caminho em linha reta, a gente passaria a maior parte do tempo dormindo. Mas estamos o tempo inteiro diante de curvas e bifurcações inesperadas e a vida vira um jogo de perde e ganha. Porque escolher é renunciar e nem sempre podemos ter tudo o que queremos. E a gente erra querendo acertar, mas isso não apaga o erro e a mágoa.

E dizem que para cada pecado existe um perdão, mas depois de maculada a maçã, embora ainda seja uma maçã, deixa de ser tão doce. Porque a gente aprende a ser perdoado, não a perdoar.

Estou desaprendendo. E isso dói.