Eu sou brasileiro!

image001 Uma das coisas de que mais me orgulho é de ser brasileiro. Vivemos num país sem guerra, com o melhor carnaval, belas praias, mulheres bonitas e ainda temos a melhor seleção de futebol do mundo!

Um país sem racismo, sem xonofobia e sem muitas preocupações. Aqui os judeus (aquele povo sem fé) vivem bem com os loucos palestinos. Os fanáticos e ladrões protestantes vivem com os católicos e nossos negros são negros de alma branca.

Aqui respeitamos as diferenças. Temos a maior passeata gay do mundo. Até que é uma festa engraçada, com aqueles travecos sacaneando todo mundo. Mas eu não veja muita vantagem nisso: um bando de veados e sapatões se agarrando nas ruas, para vergonha das famílias. Uma esculhambação generalizada e uma putaria sem fim.

Mas esse é o país das oportunidades. Aqui, se você souber ganhar dinheiro, fica rico e vive bem. Claro que tem o problema da violência, mas é só contratar segurança particular. Pobre é uma desgraça. Não trabalha, se sustenta com o imposto que eu pago e ainda se revolta com tudo e parte para o crime.

O que me importa se tem tanta gente passando fome? Eu fiz minhas seis refeições hoje. Sim, seis refeições é o novo preto. Comer pouco, de forma balanceada e comer sempre.

Eu não preciso respeitar regras de trânsito porque sou ótimo motorista. Só ando na velocidade permitida quando tem radar, senão saio em disparada, porque o tempo não para e eu sofro da síndrome da pole position. Sinal vermelho é coisa de otário e sempre que possível, pego a contramão ou faço alguma conversão perigosa se isso vai encurtar meu caminho.

Voltando do feriado de carnaval um policial me parou numa blitz. Conversa vai, conversa vem, percebemos que meu extintor estava vencido. Lógico que não levei multa e tive o carro apreendido: uma ou duas oncinhas resolvem qualquer problema…

Outro dia eu estava num restaurante com alguns amigos e percebi na hora de pagar a conta que esqueceram de lançar um uísque. Perdeu preibói! Que sirva de lição para os desatentos. Não tenho culpa pelo erro dos outros. Isso acontece muito quando me dão o troco a maior. Você acha que eu vou devolver? Vou devolver é porra!

Eu já pago tanto imposto para esse bando de políticos construir castelos ao invés de me garantir educação, saúde e segurança (que diga-se de passagem, tenho que pagar também particular), pago multas abusivas e as estradas seguem esburacadas, pago caro para comprar qualquer coisa por conta dessa carga tributária, matenho uma legião de marajás em Brasília que logicamente eu preciso levar alguma vantagem de vez em quando.

 

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Rui Barbosa

Sobre o mundo

marionete

- I -

De todas as maneiras de entender o mundo, eu prefiro a ignorância.

- II-

O mundo, dizem, foi feito em sete dias. Vê-se, de certo, que o tempo é uma medida relativa.

- III-

Não há verdade que sobreviva a um sorriso franco ou mentira que dure o tempo da primeira lágrima.

- IV -

A natureza inventou a vontade. O homem criou as regras de uso.

- V -

Toda palavra dita no passado se transforma em flores e frutos.

- VI -

Há dois tipos de problema: os que não posso resolver e aqueles que ajudo a criar.

- VII -

A natureza é feita de dois elementos fundamentais: os que cheiram e os que fedem.

- VIII -

Seu sentimento de culpa é inversamente proporcional às suas ações humanitárias.

- IX -

Ajude um pobre e livre-se da culpa pelo seu sucesso.

- X -

Herói é o assassino do lado inimigo.

Carnaval

Festa pagã, união de corpos em busca de um bem comum: o prazer. Nunca fui lá um bom folião. Um pouco de preguiça misturada com revolta de roqueiro. Não sei como é hoje, mas no meu tempo, um roqueiro tinha que ser do contra. E eu era bom nisso de ser do contra: eu era contra até as coisas que eu era a favor, só para ser chato.

Quando eu era adolescente, lá nos idos dos anos 1990, reuníamos nossa gangue de roqueiros (e isso inclui a hoje famosa Pitty) para o melhor evento do ano: o carnarock. Como éramos do contra, fazíamos nosso carnaval com guitarras elétricas, gritos revoltados e gente vestida de preto e caveiras de chumbo.

No começo era aquela coisa meio mambembe, mas nós, apenas meninos, sem recursos ou apoio do governo, provávamos todos os anos que era possível fazer a diferença na terra do Axé. E isso era a glória de ser do contra: fazer rock no meio do carnaval da Bahia.

É claro que o evento se profissionalizou, ganhou apoio do governo, entrou para o circuito oficial das festas populares e deve ter virado uma porcaria. Porque se você quiser estragar alguma coisa, torne popular. E eu cresci e nunca mais tive notícias daquele evento.


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Emo é o car****!
 

Mas não posso dizer que jamais fui ao carnaval; já me permiti em duas oportunidades colocar o bloco na rua e sair atrás do trio elétrico. Sou um carioca criado em salvador, logo tenho no sangue e no corpo a essência do carnaval. Mas é que além de ser do contra, eu tenho preguiça para a felicidade gratuita. Não vejo muita graça em dançar por dançar, pular por pular, sorrir por sorrir. Ou há um objetivo ou eu não faço.

E com isso eu perdi anos de felicidade gratuita. Porque não posso negar que quando estou na festa me divirto mais que os outros. Acho que aproveito para extravasar. Até porque dizem que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. E ninguém me psicografa.

Este ano, para variar, vou passar o carnaval em Fortaleza. A cidade é convidativa para os preguiçosos que, como eu, curtem não fazer nada sempre que possível. Aqui não tem carnaval, provavelmente porque o último bloco de carnaval faz a curva lá em Olinda.

E que a vassourinha vá varrer bem longe de mim!

Tempo de dizer

maglass_heart Quando tive coragem de dizer que te amava, você foi mais rápida e disse que não queria mais me ver. Então segui sem entender exatamente onde estava errando: se nas minhas escolhas ou na maneira como conduzia meus amores. E eu fiquei com aquele "eu te amo" não dito, engasgado na garganta, buscando uma nova forma de entender outra chuva de verão.

Na desordem do meu coração fiquei sem saber o que sentia. Havia uma mistura de angústia e desespero conduzindo o compasso do meu peito e eu não conseguia imaginar um novo passo, uma nova meta ou qualquer rumo. A única certeza era o medo que tomava conta da minha cabeça, tentando a todo custo me convencer a não trilhar novos caminhos. "Talvez desistir seja mais fácil", pensava insistentemente.

E nessa confusão, faltou espaço para o resto do meu dia. Soneguei obrigações e desinteressei-me por tudo, boicotando qualquer chance de criar um novo rumo, quase certo que extirpar de mim meu coração seria a solução do meu problema.

E fui aos poucos me tornando um ermitão, largando-me no ermo, lugar onde era provável suportar meu oco peito, aquele que desenhei para mim o tempo todo.

Mas a verdade é que por hoje eu esquecerei as minhas dores e angústias. Exaltarei o egoísmo e o explorarei o que nunca fui capaz. Desbravarei as terras além-mar, onde jamais pensei um dia chegar. Permitir-me-ei, seja como for, sentir essa alegria que o verão emana e, por essência, serei essencial.

E tudo isso serve para te dizer, meu bem, que você é um rosto na multidão. E se me sobrar um tempo, devo dizer também que nem um rastro de você em mim sobrou.

Você foi o veneno que me curou.

Espaço, cidadão

Nossa origem portuguesa, xenofobia à parte, nos trouxe uma mazela quelixo ainda não conseguimos apagar: o desrespeito ao espaço público.

Embora nossos colonizadores já tenham, há tempos, superado tal porco hábito, nossos irmãos pátrios insistem em utilizar as vias públicas como uma grande lixeira a céu aberto. O resultado? Ruas alagadas, caos urbano e sujeira generalizada.

E este comportamento não está restrito aos bairros mais humildes: em qualquer lugar pode-se presenciar algum infeliz atirando seu lixo ao espaço comum, como se proprietário de algo fosse ele.

Sábado último eu estava de carro numa avenida de bairro nobre aqui de Fortaleza, quando um "cidadão" imundo, de seu carro de luxo, arremessou uma carteira de cigarros pela janela, enquanto estava parado no semáforo. Aquilo, para mim, é um desaforo e um desrespeito à minha cidadania. Imediatamente desci do carro, peguei a carteira de cigarros e arremessei para dentro do carro daquele jovem de pouco mais de 20 anos e bradei a plenos pulmões: porco!

Não, isso pode não mudar o comportamento daquele menino, que não foi educado adequadamente pelos pais. Este meu comportamento poderia ter resultado numa briga de trânsito ou num tiro em minha cabeça. Sim, vivemos num estado de violência e devemos sempre buscar abrigo, evitando qualquer exposição.

Mas no auge do ódio eu não resisti; era preciso fazer algo contra aquele suposto cidadão, que não tem respeito às regras de boa convivência. Que não percebe que o espaço público, por definição, pertence ao comum e, assim, deve ser respeitado.

E este mesmo cidadão estará provavelmente reclamando da prefeita hoje, depois que a cidade ficou alagada por conta das chuvas de ontem.

Faça sua parte: mantenha a cidade limpa.