Ontem fomos ao show do Ney Matogrosso em sua volta a Fortaleza com o espetáculo “Inclassificáveis”. Alguns dizem que ele é old fashion; há quem diga que ele está velho demais para a proposta do novo espetáculo, onde ele retoma as performances sensuais – com direito a figurino deslumbrante – e a sonoridade mais pesada do rock and roll – gênero musical que o lançou para a cena artística nacional.
Há muitos anos eu esperava que ele retomasse justamente esse tipo de espetáculo e o coroa, aos 67 anos, não decepciona: instiga o público a todo instante com seu rebolado, seus olhares desconcertantes e sua presença de palco inegavelmente magnética.
Ney com um dos figurinos do show
O figurino é realmente um caso particular, assim como toda a cenografia, a direção do espetáculo e a iluminação. Como os detalhes técnicos e os atores responsáveis podem ser obtidos na Internet, vou narrar a minha impressão do show.
Todo o clima criado pelo figurino, sonoridade, iluminação e cenografia me transportaram para uma savana africana, com direito a passeios na selva amazônica. Bom, parte disso se deve ao fato de eu ser ligeiramente sinestésico e perceber a música de outra maneira. Ademais, as canções estão com arranjos belíssimos e a banda é simplesmente fantástica.
Ney tem a capacidade de hipnotizar a platéia e brincar com a libido de todos aqueles que se permitem envolver com o espetáculo. Seus olhares e movimentos, a troca de figurino, seu bailar. Enfim, um artista atual, contundente, transgressor e inventivo, que não se permitiu envelhecer.
O ponto alto do show é a música “Por que a gente é assim” (Cazuza – Frejat), onde ele desce do palco e interage com a platéia, percorrendo todo o teatro, enquanto canta e dança. Creio ser desnecessário citar o calor que isso causa na platéia. Mas o interessante é ouvir a todo instante mulheres e homens gritando: “lindo”, “gostoso”, “você é demais”. E mais ainda é a resposta dele: olhares e gestos provocativamente sensuais, como uma agradecimento maroto ao carinho feito a seu ego.
Sim, se este show passar por sua cidade, não deixe de ir ver. Vale cada centavo.
5 comentários:
Meu querido, gosto não se discute (Allan complementaria a frase: "lamenta-se"... Rss) Mas eu acho que todo mundo temn direito a gostar do que quiser. Mas no universo em que Ney for "lindo, gostoso" ou qualquer outra coisa do gênero, eu sou garota de Ipanema.
Beijos
Gosto dessa sensação de sair de um show e ter vontade de dividí-lo com todo mundo. Faz um bem danado!
Eu, particularmente, lamento muito. Não gosto de exageros cênicos. Acho tudo muito forçado. Menos é mais. Não vejo mérito. Prefiro só ouvir.
Não vejo como exagero cênico. Na verdade tudo o que se veste, se faz e se canta conta a história do show, que é mais que apenas a reprodução ao vivo de um CD.
A origem de Ney - teatro - o permite contar a história do show daquele jeito.
Come out, come out... wherever you are
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