Poema

Eu já escrevi uma centena de poemas. Uma tonelada de rimas que nunca disseram nada para ninguém, nem mesmo para o autor. Hoje eu tive um pesadelo, mas a preguiça de acordar me fez ficar com o terror infantil mais um pouco. Nesse pesadelo eu queria um abraço, um consolo ou algo para minha alma em cicatrização. Mas olhei ao redor e não vi nada além de um monte de gente desconhecida me olhando. E do escuro desse sonho eu vi meu passado e isso não é lá muito agradável.

E eu sentia frio mas não tinha ninguém para me acalentar. É um desses medos que a gente tem da solidão. Aquela solidão de quem vive na cidade grande. Muita gente ao redor mas ninguém que nos conforte. Tenho medo da solidão. E hoje estou só. Cheio de gente perto de mim, mas especialmente solitário. Vazio é a melhor definição.

Em meus poemas eu verso sempre com a beleza e com a solidão. Com o amor e com a dor. Versos idiotas para um autor idiota. Sempre sem sentido, sempre sem razão. Hoje eu não tenho espaço para mim dentro do meu mundo, porque meu mundo está cheio de outra pessoa, que já se foi mais insiste em ocupar espaço dentro de mim. Eu sempre a achei muito espaçosa, mas agora rouba meu espaço por completo. Me sufoca e me afoga.

E tentando novos versos vou chegando a uma única conclusão: não nasci para a palavra escrita, porque tenho as mãos lentas, apesar de uma mente rápida. Então meus pensamentos se perdem na lentidão da minha escrita. E na lentidão da minha escrita o mundo perde um dos grandes poetas. E eu acordo de um dos meus piores pesadelos.

1 comentários:

Liliane disse...

vim conmhecer seu blog e agostei mto, acho que escreve, e mto bem....
boa sorte no ExpressaoD.
bjos